por Alexandre Lutterbach*
Recebo diariamente vários insights de diferentes fontes sobre os acontecimentos que rondam nosso Supply Chain! É adorável ver a quantidade de pessoas que se apaixonaram e passaram a se dedicar a esta admirável maneira de ver os fluxos logístico-industriais se materializando desde o “inbound”, passando pelo “outbound” e o fechamento end-to-end do seu ciclo!
O desenvolvimento de novas plataformas, recursos e gestão de dados nunca como antes nos fez ficar tão atentos às notícias devido a sua rápida evolução – que por força desse maravilhoso mundo chamado tecnologia – obrigatoriamente passamos a pensar e acompanhar mais de perto nos últimos 3 anos do que nos últimos 10 ou mais anos!
A (r)evolução rumo ao Supply Chain 4.0 é realidade presente e as vezes nos assusta tanta coisa evoluindo a passos tão largos ao mesmo tempo. “Na ponta da língua” estão: IoT (Internet das Coisas), AI (Inteligência Artificial), Big Data, BlockChain, OmniChannel, Veículos Autônomos, Drones, Centros de Distribuição robotizados, rastreabilidade end-to-end de produtos e tecnologia 5G. Realidades “recém surgidas” e que já ocupam espaços em nossa “prateleira” de atualizações e acompanhamento. Claro que a grande maioria ainda muito incipientes em nosso dia a dia, mas aos poucos seus sinais de existência (e utilização efetiva) nos faz lentamente tornarmo-nos familiarizados com essas rápidas e inevitáveis mudanças.
O passo acelerado ao 4.0 porém não nos faz tirar os olhos da realidade (virtual ou não) em que vivemos e viveremos, e lamentavelmente constatar – por outro lado – que o nosso “De Volta ao Futuro” levará um bom tempo a acontecer por aqui. Temos, caros Supply Chainers, um longo caminho a trilhar com a nossa realidade atual.
Como chegaremos lá? O que precisa ser feito hoje para nos encaixarmos à realidade do amanhã (nem tão “amanhã” assim…)? Será que somente implantar todas essas tecnologias nos põem competitivos e prepara-nos para o futuro? Quais tecnologias se aplicam à minha empresa? Quais passos devemos dar no presente para alcançarmos a excelência “no futuro”!? Muitas perguntas….porém estratégicas e inevitáveis!
Atrelado a isso devemos lembrar que colocados lado a lado com a tecnologia, a excelência de uma Cadeia de Suprimentos é determinada através da evolução de seus cinco estágios, desde sua estabilidade inicial até sua evolução à perfeita harmonia em toda a sua extensão. Se imaginarmos que o auge desta excelência é o supra sumo de uma cadeia “Estendida”, esse desafio se coloca maior à medida que identificamos seu atraso em relação a tudo que vem acontecendo.
Nossa experiência em pelo menos cinco empresas multinacionais no Brasil mostra que todas ainda sofrem as dores de um estágio de “Disfunção Múltipla”, algumas chegam a colocar até os “pés” na “Semi-funcionalidade”, mas ainda muito distantes de uma promoção à uma cadeia eficientemente “Integrada” e muito menos à aparentemente utópica cadeia “Estendida”.
O que isso significa? Significa que ainda engatinhamos rumo à elevados níveis de produtividade, que nossa ineficiência por estarmos em estágio tão aquém de evolução e competitividade em nosso Supply Chian ainda gera acúmulo de custos altíssimos de produção, de estoque e distribuição. Estoques esses, por sinal, que só existem porque somos ineficientes ao longo do ciclo completo da cadeia de suprimentos, caso contrário seriam mínimos e a igualmente custos mínimos!
Há progressos? Sim há, mas o que então as impede de avançarem? Tecnologia disponível? Recursos financeiros e/ou humanos para chegaram ao 4.0?…ou “pura e simplesmente” o desenvolvimento de uma cultura do conhecimento com uma estrutura voltada “ao todo e a todos”? Sem dúvida é uma composição de todos os fatores, mas acredito que a força e o conhecimento das pessoas unidas pelo mesmo objetivo colaborativo podem fazer a diferença, e elevarem gradativamente e consistentemente à uma eficiente e produtiva cadeia de suprimentos. A colaboração, no conceito intrínseco de atitude de uma cadeia de suprimentos é o verdadeiro elo de ligação entre todos os seus players (internos e externos).
Não é, porém simples! Há de se trabalhar muito fortemente no desenvolvimento das hard skills, associados à conscientização de uma formação das soft skills. São as hard skills, em sua grande parte, que habilitarão o Supply Chainer a se integralizar nos conceitos que produtivamente associarão gestão, processos, tecnologia e pessoas!
É a partir daí que tudo fica mais fácil de entender e executar, e nos coloca preparados para compatibilizar “presente e futuro”, harmonicamente conectados e preparados como um supply chain em permanente e eficiente movimentação.
*Sócio-Diretor da MooveChain SCR (a.lutterbach@moovechain.com.br)